Documento é assinado por uma ampla coalizão de entidades de todo o país, alertando para o risco à soberania nacional, perda de empregos e graves impactos no agronegócio e no meio
Março de 2026 – A Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (APABOR), junto a outras 39 entidades representativas, assina o “Manifesto pela Indústria Nacional de Pneus e do Ecossistema da Borracha”, que acaba de ser divulgado. O documento alerta para uma crise sem precedentes que ameaça a soberania do país, impulsionada pelo aumento desenfreado de importações, colocando em risco a manutenção de empregos, os investimentos industriais e a sobrevivência de milhares de famílias de seringueiros e produtores rurais.
A urgência da APABOR e das demais signatárias reflete o impacto direto no agronegócio e no interior do país: a indústria nacional atua como motor do desenvolvimento rural, consumindo cerca de 80% de toda a borracha natural produzida no Brasil. A retração das fabricantes de pneus interrompe o consumo da borracha brasileira, gerando um efeito devastador no fluxo de renda no campo e afetando cadeias de fornecedores que vão desde o agronegócio até a siderurgia e a indústria química. Apenas as empresas associadas à ANIP geram mais de 35 mil empregos diretos e 500 mil indiretos. Como o setor consome cerca de 80% de toda a borracha natural produzida no Brasil, a queda na produção de pneus afeta diretamente a renda de milhares de famílias de seringueiros e produtores rurais, atingindo também fornecedores da siderurgia e da indústria química.
Em janeiro de 2026, a participação de pneus importados de passeio e carga no mercado de reposição atingiu o patamar inédito de 72%, enquanto o espaço da indústria nacional despencou de 66% (em 2021) para apenas 28%. O manifesto aponta que essa desestruturação é causada por assimetria de preços de produtos asiáticos (frequentemente vendidos abaixo do custo da matéria-prima), instabilidade tarifária e desvios de comércio — especialmente após o México elevar sua tarifa de importação para 35% em 2025, redirecionando o fluxo de excedentes para o Brasil. Há também um grave passivo ambiental envolvido: relatórios do IBAMA indicam que os importadores não cumprem suas metas há 15 anos, acumulando 500 mil toneladas de pneus inservíveis entre 2011 e 2025.
Para reverter este cenário e proteger a integridade produtiva do ecossistema, a APABOR e as demais organizações pleiteiam junto ao Governo Federal a implementação imediata de cinco medidas estratégicas:
- Controle de entrada: Estabelecimento de Licenciamentos Não Automáticos (LNAs) baseados em valores de referência internacionais.
- Proteção imediata: Celeridade na adoção de direito provisório nas investigações antidumping em curso, evitando que a indústria fique desprotegida durante os processos, que podem durar mais de 18 meses.
- Compras públicas sustentáveis: Estímulo à aquisição governamental e em linhas de financiamento de pneus com conteúdo local significativo e que cumpram a legislação ambiental, em linha com a Agenda 2030 da ONU.
- Isonomia tarifária: Alinhamento do imposto de importação brasileiro em alíquotas semelhantes às praticadas por países com base industrial forte.
- Fomento à matéria-prima local: Implementação urgente da Política de Estímulo à Produção da Borracha no Brasil.
O documento evidencia a mobilização nacional em defesa do setor e é assinado por 40 importantes organizações que representam toda a cadeia produtiva e atestam a gravidade da situação. As entidades signatárias são:
ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos),
ABBRASP (Associação Borracha Brasileira de Seringueiros Produtores),
ABICALÇADOS (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados),
ABIMETAL (Associação Brasileira da Indústria Processadora de Aço),
ABIQUIM (Associação Brasileira da Indústria Química),
ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção),
ABR (Associação Brasileira da Reforma de Pneus),
ABRABOR (Associação Brasileira de Produtores e beneficiadores de Borracha Natural),
Acirp (Associação Comercial e Empresarial de São José do Rio Preto),
ALAPA (Associação Latino Americano de Pneus e Aros),
AMNPS (Associação do Movimento Nacional de Produtores e Sangradores),
APABOR (Associação Paulista de Produtores Beneficiadores de Borracha),
APROB (Associação de Produtores de Borracha Natural de Goiás e Tocantins),
ARESP (Associação das Empresas Reformadoras de Pneus do Estado de São Paulo),
ASSOBAN (Associação Brasileira das Distribuidoras Bridgestone Bandag),
CBIP (Cooperativa de Borracha do Interior Paulista),
Cooperativa Casul Peanuts,
COOPBORES (Cooperativa dos Produtores de Borracha do Espírito Santo),
COOPER Latex (Cooperativa dos Heveicultores do Centro-Oeste),
Coopermata (Cooperativa Cacau Mata Atlântica da Bahia),
COOSEF (Cooperativa dos Produtores Rurais de Seringueira da Região de Fernandópolis),
COOPAFBASUL (Cooperativa dos Agricultores Familiares do Baixo Sul),
COOPBOR (Cooperativa dos Produtores de Borracha Natural),
COOPHEVEA (Cooperativa de Heveicultores de Guaraçi/SP e Região),
Cooperativa HEVEAFORTE (Cooperativa dos Produtores de Borracha HEVEAFORTE)
COOPERVERDE (Cooperativa Ouro Verde Bahia),
EMDAPI (Empresa de Destinação Adequada de Pneumáticos Inservíveis),
FENABOR (Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Artefatos de Borracha, Pneumáticos e Látex),
FIEB (Federação das Indústrias do Estado da Bahia),
Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro),
HEVEACOOP (Cooperativa dos Seringalistas do Espírito Santo),
Instituto PNRS (Instituto Brasileiro de Resíduos Sólidos),
Natural Rubber Cooperativa,
Reciclanip,
SERCOOP (Cooperativa dos Seringueiros de Novo Horizonte e Região),
SERINCOOP (Cooperativa dos Seringalistas do Estado de Minas Gerais),
SIMEFRE (Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários),
SINDIAÇO (Sindicato Nacional da Indústria do Aço),
SINPEC (Sindicato Nacional da Indústria de Pneumáticos, Câmaras de Ar e Camelback)
UniHevea (Cooperativa dos Produtores de Látex).
PDF – Manifesto pela Indústria Nacional de Pneus e do Ecossistema da Borracha – Março/26
